PORTUGUÊS: Análise sintática

1. Termos Essenciais da Oração

Todo edifício sintático começa pelo Sujeito e pelo Predicado.

A. O Sujeito (O “Dono” da Concordância)

O sujeito é o termo sobre o qual se faz uma declaração e com o qual o verbo concorda.

  • Determinado Simples: Possui apenas um núcleo.

    • Ex: “A arquitetura colonial encanta os turistas.”

  • Determinado Composto: Dois ou mais núcleos.

    • Ex: “Pirenópolis e Goiás Velho mantêm o brilho colonial.”

  • Oculto (Desinencial): Identificado pela terminação do verbo ou contexto.

    • Ex: “(Nós) Vivemos cenas repletas de poesia.”

  • Inexistente (Oração sem Sujeito): Com verbos impessoais.

    • Ex: “ 30 anos ela vive aqui.” / “Faz dias que não chove.”

B. Predicação Verbal (Transitividade)

O sentido do verbo dita quais complementos ele exige.

  1. Verbo Intransitivo (VI): Tem sentido completo. Ex: “O sol brilhou.”

  2. Verbo Transitivo Direto (VTD): Exige complemento sem preposição (Objeto Direto). Ex: “Ela escreveu um livro.”

  3. Verbo Transitivo Indireto (VTI): Exige complemento com preposição (Objeto Indireto). Ex: “Eu gosto de Piri.”

  4. Verbo de Ligação (VL): Liga o sujeito a uma característica (Estado). Ex: “A cidade é encantadora.”

2. Termos Integrantes e Acessórios

Aqui a banca costuma cobrar a diferença entre o que é “obrigatório” e o que é “detalhe”.

  • Objeto Direto vs. Indireto: Lembre-se da pergunta ao verbo. Quem confere, confere algo (OD) a alguém (OI).

    • Ex: “A arquitetura confere um visual de set (OD) ao vilarejo (OI).”

  • Adjunto Adverbial: É a circunstância. Pode ser de tempo, modo, lugar, causa.

    • Ex: “Ela vive aqui há muito tempo (Tempo) em paz (Modo).”

  • Aposto: Explica um termo anterior.

    • Ex: “Pirenópolis, berço de grandes cantores, é linda.”

3. O Período Composto: Coordenação e Subordinação

A distinção entre Coordenação e Subordinação é o coração da sintaxe do período composto. Para dominar este tema, o segredo é entender a relação de dependência (ou a falta dela) entre as orações.

3.1. Orações Coordenadas: A Independência

Imagine duas pessoas caminhando lado a lado, mas cada uma com as suas próprias pernas. Elas estão juntas (no mesmo período), mas são independentes.

  • Definição: São orações que possuem sentido completo sozinhas. Se você as separar por um ponto final, elas continuam a ser entendidas.

  • Sintaxe: Não exercem função sintática uma em relação à outra.

  • Tipos de Sindéticas (com conjunção):

    • Aditivas: Soma. (Ex: Estudou e passou.)

    • Adversativas: Oposição. (Ex: Estudou, mas não passou.) -> Cuidado: A FEPESE ama “contudo”, “todavia” e “entretanto”.

    • Alternativas: Escolha. (Ex: Ou estuda, ou trabalha.)

    • Conclusivas: Fechamento lógico. (Ex: Estudou muito, portanto passou.)

    • Explicativas: Justificativa. (Ex: Estude, porque a prova é amanhã.)

3.2. Orações Subordinadas: A Dependência

Aqui, imagine um bebé e uma mãe. O bebé (oração subordinada) depende da mãe (oração principal) para “sobreviver” sintaticamente.

  • Definição: São orações que exercem uma função sintática (sujeito, objeto, adjunto) para a oração principal. Sozinhas, elas parecem “incompletas”.

  • Divisão por Função:

A. Substantivas (Função de Substantivo)

Podem ser substituídas pelo pronome ISSO.

  • Ex: “É necessário [que você revise o PDF].”

  • Teste: É necessário ISSO. (Como “ISSO” é o sujeito de “é necessário”, a oração é Substantiva Subjetiva).

B. Adjetivas (Função de Adjetivo)

Referem-se a um substantivo da oração anterior e começam com Pronome Relativo (que, o qual, onde).

  • Explicativas: Com vírgula. Generalizam. (Ex: O aluno, que estuda, passa. -> Todos os alunos estudam e todos passam.)

  • Restritivas: Sem vírgula. Especificam. (Ex: O aluno que estuda passa. -> Apenas o aluno que estuda é que passa.)

C. Adverbiais (Função de Advérbio)

Indicam uma circunstância para a principal. As mais comuns em prova:

  • Causal: “Como estava chovendo, não fui.” (O motivo)

  • Concessiva (Desafio):Embora estivesse chovendo, fui.” (Uma barreira que não impediu a ação).

  • Condicional:Se você estudar, passará.” (Requisito).

3.3. Esquema Comparativo para Memorizar

CritérioCoordenaçãoSubordinação
DependênciaIndependente (Sentido completo)Dependente (Exerce função sintática)
ConectivoConjunções CoordenativasConjunções Integrantes / Pronomes Relativos / Conjunções Adverbiais
Exemplo“Fui à praia e tomei banho.”“Quero que você tome banho.”
O que a banca pedeTroca de conectivos (mas por porém)Classificação da função (sujeito, objeto, etc.)

4. Esquema Resumo: Funções do “QUE”

O “QUE” é a palavra camaleão da língua portuguesa. Identificá-lo é 50% da prova de sintaxe.

Se o “QUE”…ClassificaçãoExemplo
Pode ser trocado por ISSOConjunção Integrante“Espero que você estude.”
Pode ser trocado por O QUALPronome Relativo“A cidade que visitei é Piri.”
Indica uma CausaConjunção Causal“Venha logo, que já é tarde.”

 

<img draggable= Dicas para a Prova:

  1. Atenção ao Sujeito Posto: A banca adora colocar o sujeito depois do verbo para te confundir. Ex: “Surgiram, naquela tarde, novas dúvidas” (Sujeito: novas dúvidas).

  2. O Pronome Relativo como Sujeito: No trecho “que confere ao vilarejo…”, o “que” retoma o termo anterior e exerce a função de sujeito daquela oração. Sempre olhe o que vem antes!

  3. Verbo Haver: Viu o verbo “Haver”? Verifique se significa “existir”. Se sim, ele não tem sujeito e fica sempre no singular (Havia muitas pessoas, e não Haviam).