MATERIAL: Projeto Geométrico Rodoviário

1. Classificação e Terminologia Viária

São vias terrestres urbanas e rurais as ruas, as avenidas, os logradouros, os caminhos, as passagens, as estradas e as rodovias, que terão seu uso regulamentado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre elas, de acordo com as peculiaridades locais e as circunstâncias especiais.

ClassificaçãoDefinição
VIAS URBANASruas, avenidas, vielas ou caminhos e similares abertos à circulação pública, situados na área urbana, caracterizados principalmente por possuírem imóveis edificados ao longo de sua extensão.
VIAS RURAISestradas e rodovias.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a velocidade máxima permitida para a via será indicada por meio de sinalização, obedecidas suas características técnicas e as condições de trânsito. Onde não existir sinalização regulamentadora, a velocidade máxima será de:

ÁreaTipo de viaVelocidade máxima permitida
RURALRodovias de Pista Dupla110 km/h (automóveis, caminhonetes e motocicletas)
90 km/h (demais veículos)
Rodovias de Pista Simples100 km/h (automóveis, caminhonetes e motocicletas)
90 km/h (demais veículos)
Estradas60 km/h

A velocidade mínima não poderá ser inferior à metade da velocidade máxima estabelecida, respeitadas as condições operacionais de trânsito e da via.

1.1. Classificação Funcional das Rodovias

Baseada na importância da via na malha e no tipo de deslocamento predominante.

  • Sistema Arterial: Vias projetadas para alta mobilidade e longas distâncias. Possuem alto volume de tráfego e poucas interrupções.

  • Sistema Coletor: Vias que coletam o tráfego das vias locais e o distribuem para as arteriais (e vice-versa). Equilibram mobilidade e acesso.

  • Sistema Local: Vias destinadas primordialmente ao acesso às propriedades lindeiras (residências, comércios). Baixa velocidade e curto percurso.

Classificação funcionalCaracterísticas
ARTERIAISProporcionam alto nível de mobilidade para grandes volumes de tráfego.
Sua principal função é atender ao tráfego de longa distância, seja municipal,
estadual ou interestadual. Propicia ligação e integração entre cidades.O sistema subdivide-se em: principal, primário, secundário.
COLETORASDistribuem os deslocamentos entre centros geradores de tráfego até núcleos
populacionais de vulto médio ou rodovias de maior porte. A função destas
rodovias é proporcionar mobilidade e acesso dentro de uma área específica.O sistema subdivide-se em: primário e secundário.
LOCAISConstituídas, geralmente, por rodovias de pequena extensão, são destinadas
basicamente a captar deslocamentos e proporcionar o acesso do tráfego
intramunicipal de áreas rurais e de pequenas localidades às rodovias mais
importantes, com maior tráfego.Velocidade de operação: 20 a 50 km/h.

Posição hierárquica dentro da classificação funcional cresce no sentido: 1. local → 2. coletor → 3. arterial

1.2. Classificação Técnica (Classes de Projeto)

Define o padrão geométrico da rodovia (número de faixas, controle de acesso).

A classificação técnica depende:

  • Posição hierárquica dentro da classificação funcional (local, coletor, arterial)
  • volume médio diário de tráfego (VMD)
  • nível de serviço (velocidade média, visibilidade, terreno ondulado, etc)
  • outros condicionantes

Veja a seguir as classes de projetos:

Classe da viaCaracterísticas
Classe 0

Via expressa: rodovia do mais elevado padrão técnico, com pista dupla e
controle total de acesso.

Alto volume de tráfego.

Classe I

Classe I-A: pista dupla, controle parcial de acesso e grande
volume de tráfego.

Classe I-B: pista simples de elevado padrão técnico.

Classe IIPista simples para VMD entre 700 e 1.400 veículos.
Classe III

Pista simples com VMD entre 300 e 700 veículos.

(As vias coletoras, em geral, enquadram-se nesta classe.)

Classe IV

Pista simples com VMD inferior a 50 veículos.
Geralmente apresenta alta acessibilidade e baixo custo de construção.

No geral, não são pavimentadas e fazem parte do sistema local
(ex.: estradas vicinais).

Relação entre classificação funcional e classe de projeto:

SistemaClasses funcionaisClasses de projeto
ARTERIALPrincipal
Primário
Secundário
Classes 0 e I
Classe I
Classes I e II
COLETORPrimário
Secundário
Classes II e III
Classes III e IV
LOCALLocalClasses III e IV

Segundo o Manual de Projeto Geométrico do DNER (DNIT):

 

Todas as vias deverão possuir acostamentos, pavimentadas ou não. A largura designada para o acostamento deverá ser bem visível para o motorista e deverá ser mantida uniformemente, sem sofrer estreitamento esporádico desnecessários.

 

Acostamentos, quando pavimentados, contribuem também para conter e suportar a estrutura do pavimento da pista.

 

A declividade transversal mais recomendável para as pistas é de 2% para pavimentos betuminosos de alta qualidade e de 1,5% para pavimentos de concreto de cimento. No caso de pistas cujos pavimentos tenham maior grau de porosidade ou onde sejam previsíveis recalques diferenciais da plataforma (só aceitáveis em classes de projeto inferiores) poderá ser adotada uma declividade de 2,5%, no máximo 3%.

 

Pistas não pavimentadas terão declividades transversais de 3% ou excepcionalmente de 4%.

 

Os acostamentos, pavimentados ou não, terão uma declividade normal de 5%.

Velocidade Diretriz é a velocidade selecionada para fins de projeto da via e que condiciona suas principais características: curvatura, superelevação e distância de visibilidade. A velocidade diretriz não deve ser inferior às velocidades de operação.

Classe de projetoVelocidades diretrizes para projeto (km/h)
Relevo
PlanoOnduladoMontanhoso
Classe 012010080
Classe I1008060
Classe II1007050
Classe III806040
Classe IV80 – 6060 – 4040 – 30

 

1.3. Nomenclatura das Rodovias Federais (PNV)

Identificação pelo prefixo BR-XYZ:

  • X = 0 (Radiais): Partem de Brasília em qualquer direção (Ex: BR-040).

  • X = 1 (Longitudinais): Sentido Norte-Sul (Ex: BR-101, BR-116).

  • X = 2 (Transversais): Sentido Leste-Oeste (Ex: BR-262).

  • X = 3 (Diagonais): Sentido Nordeste-Sudoeste ou Noroeste-Sudeste (Ex: BR-381).

  • X = 4 (De Ligação): Conectam duas rodovias federais ou uma rodovia a um ponto estratégico.

2.  Estaqueamento

O DNIT utiliza o estaqueamento progressivo para localização linear.

  • Definição de Estaca: Unidade de comprimento padrão equivalente a 20 metros.

  • Notação: Estaca [Inteira] + [Fração em metros]

    • Exemplo: 150 + 12,00 significa 150 estacas inteiras mais 12 metros.

Como Converter Estaca em Distância (Metros)

D total = (Nº da Estaca x 20) + Fração

3. Geometria Horizontal (Planimetria)

O traçado em planta é composto por Tangentes (retas) e Curvas (circulares ou de transição).

3.1. Elementos da Curva Circular Simples

A concordância simples utiliza um arco de círculo para unir duas tangentes.

  • Desenvolvimento (D): Comprimento do arco da curva (caminho percorrido pelo carro).
  • PI (Ponto de Interseção): Encontro das tangentes externas.

  • PC (Ponto de Curva): Início da curva (fim da tangente anterior).

  • PT (Ponto de Tangente): Fim da curva (início da tangente posterior).

  • T (Tangente Externa): Distância do PC ao PI ou do PT ao PI.
  • Δ ou I (Deflexão): Ângulo de mudança de direção entre as tangentes. Δ = AC (Ângulo Central)
  • R (Raio): Raio de projeto da curva.

  • G (Grau): Ângulo central subentendido por uma corda de 20m.

Cálculos:

Elemento geométricoExpressão
Tangente Externa (T)T = R · tan(Δ/2)
Desenvolvimento (D)D = π · R · Δ / 180
Estaca do PCE(PC) = E(PI) − T
Estaca do PTE(PT) = E(PC) + D

4. Seção Transversal e Segurança

4.1. Superelevação (e)

Inclinação transversal da pista para compensar a força centrífuga.

  • O bordo externo da pista é elevado em relação ao bordo interno.

  • Valor máximo: Geralmente 8% ou 10% (dependendo da classe e região).

Raio mínimo (R) de curva horizontal com superelevação:

R = v² / [g.(e+f)]

  • R – raio horizontal (m)
  • V – velocidade diretriz (m/s)
  • f – coef. de atrito transversal
  • g – acel. Gravidade (m/s²)
  • e – superelevação (m/m)

4.2. Superlargura (s)

Acréscimo da largura da pista, ao longo das curvas de concordância horizontal, para proporcionar acomodação e segurança aos veículos que nela transitam.